OS CONFLITOS ENTRE SÓCIOS ESTÃO IMPEDINDO SUA EMPRESA DE PERFORMAR E CRESCER?

Conflitos entre sócios estão impedindo sua empresa de performar?

Grande parte das pequenas e médias empresas possuem mais de um sócio em seu quadro societário.

Isto significa que as decisões estratégicas e, muitas vezes, operacionais, dependem do consenso entre sócios, que são pessoas diferentes e que, por isso, percebem os contextos e têm motivações distintas para suas decisões.

Claro que, se são sócios, é porque em algum momento compartilharam do mesmo sonho, dos mesmos objetivos, o que os moveu a se unirem para fazerem o negócio existir ou crescer.

Como as sociedades começam?

Quando as sociedades começam as expectativas são altas e, quase sempre, os sócios se conhecem de ambientes pessoais. E eles não estão familiarizados com a forma de funcionar profissional um do outro. Mas, também, podem se conhecer do mundo profissional, porém, como nunca estiveram no papel de sócios um do outro antes, passam a se relacionar neste novo papel dali pra frente.

Em meus mais de 20 anos de experiência profissional, trabalhando principalmente com sócios de médias e grandes empresas, percebo o padrão nos cenários que se desenrolam após alguns anos de sociedade: conflitos de motivações dos sócios, iniciando insatisfações que, se não tratadas, transformam-se em conflitos que podem colocar em risco a própria empresa, além, óbvio, de colocar em risco o relacionamento entre os sócios.

O que seriam “conflitos de motivações”?

Como “conflito de motivações”, cito alguns exemplos:

  1. Querer que a empresa cresça mais rapidamente enquanto outro deseja mais segurança e ritmo mais lento de crescimento; 
  2. Querer diversificar o negócio enquanto outro deseja manter o foco no negócio original; 
  3. Querer reduzir o ritmo enquanto o outro está no pique máximo de trabalho;
  4. Querer envolver outros membros da família no negócio enquanto o outro deseja manter os familiares longe da operação;
  5. Querer fazer investimentos financeiros maiores na empresa enquanto o outro deseja menos risco;
  6. Querer um modelo de gestão mais informal e outro querer um mais profissional.

Veja que nos exemplos acima não existe certo ou errado, já que, em ambas as escolhas, pode dar certo ou pode dar errado, tudo depende do contexto da decisão.

E quais as consequências deste cenário?

O problema maior está no conflito que se estabelece porque os sócios não conseguem evoluir para uma decisão consensual. Geralmente optam por adiamentos constantes das conversas difíceis, porém tão necessárias para a saúde da empresa.

Ao não decidirem, a empresa sofre com a estagnação, a equipe pode se sentir confusa e desmotivada pelo clima tenso entre sócios e pelo futuro indefinido.

Oportunidades podem ser (e muitas vezes são) desperdiçadas porque a energia necessária para o convívio mediante o conflito é muito alta. Cada sócio está se esforçando para lidar com o outro mesmo se sentindo frustrado com a situação.

Quais as alternativas para solução dos conflitos?

Qual seria, então, a saída deste contexto sem que a sociedade precise se encaminhar para o fim e a empresa sofrer muito durante o processo?

Considerando que pode haver ganhos em se continuarem sócios, pelo ganho de força com os talentos e competências individuais de cada um, há que se colocar energia para a solução dos dilemas e para o aprendizado do melhor relacionamento possível entre sócios.

É preciso que se faça um alinhamento profundo, com regras transparentes e formalizadas, de como as coisas precisam acontecer neste novo momento da sociedade.

É preciso dialogar, com muito respeito aos diferentes posicionamentos e motivações, já que são todos legítimos.

A maior dificuldade: a comunicação.

O grande desafio está exatamente na grande dificuldade de comunicar, de forma assertiva, preocupações e desejos, sem que haja críticas ao outro e julgamentos por sua forma de ser, de agir.

Muitas empresas buscam ajuda externa para conseguirem encaminhar este diálogo de forma efetiva. Primam pelas relações entre sócios e pela melhor solução para todos, tendo a saúde e longevidade da empresa como prioridade.

Vale a pena o esforço de solução deste tipo de conflito porque o trabalho, principalmente para quem é empreendedor, traz muito ônus consigo. Ônus tais como riscos de se lidar com questões tributárias e trabalhistas, competir em um mercado desafiador, dentre inúmeros outros.

Então, o bônus de se investir e trabalhar com algo que se acredite, que traga muita satisfação, é necessário para manter a motivação e energia dos sócios. Assim continuem decididos a investir na melhor performance e no crescimento da empresa.

Lorena Lacerda é CEO do Grupo Valure, Coach e Mentora de Executivos e Times, Consultora de Gestão e Governança há 25 anos.

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