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Você sabia que as empresas familiares são mais lucrativas e longevas?

Publicação: 30/06/2020 às 17:01 | Autor: Antonio Carlos Oliveira

A definição da ideia de “empresa familiar” encontra variadas interpretações na literatura acadêmica. Há, entretanto, consenso que a empresa familiar é aquela que envolve em torno de um núcleo familiar (ou, de forma mais complexa, de vários núcleos familiares) que influencia a direção dos negócios por meio do exercício de laços de parentesco, papéis de gerenciamento ou direito de propriedade.

De acordo com a PwC​​​, um negócio familiar consiste em:

a. Ter ao menos um representante da família formalmente envolvido na governança da empresa

b. Se a empresa for listada, a família possuir pelo menos 25% dos direitos de decisão devido à sua participação de capital

c. A fatia de capital controlada pela família está na segunda geração ou nas seguintes

Dado este contexto, talvez não seja novidade, que as empresas familiares constituem-se na grande força motriz da economia global. No Brasil há empresas familiares de todos os portes, responsáveis por 41% do total de 27 milhões de empregos formais e 20% do PIB.

Segundo dados do SEBRAE (2012), no Brasil, de cada 100 empresas familiares, somente 30% chegam à segunda geração e 5% à terceira. Aquelas que persistem, muitas vezes veem seu valor diminuir significativamente como resultado de processos sucessórios mal geridos. As empresas familiares mais bem-sucedidas são aquelas que conseguem manter o equilíbrio entre a gestão profissional, a propriedade responsável e uma dinâmica familiar saudável.

Também não é novidade, que dada estrutura peculiar das empresas familiares, são também características destes negócio ao longo da sua trajetória alguns aspectos considerados obstáculos; entre eles, destacam-se:

(1) os possíveis conflitos de interesses entre membros da família;
(2) as disputas de poder entre membros que exercem função na gestão do negócio e aqueles que não fazem parte do cotidiano da empresa;
(3) divergências quanto a capacidades e aptidões individuais, de membros da família, para o exercício de funções no negócio;
(4) conflitos com sócios, gestores e colaboradores não membros da família controladora;
(5) divergências sobre as questões e definições financeiras do negócio, muitas vezes causadas pela mistura das finanças do negócio com interesses e finanças da família;
(6) dúvidas e dificuldades no planejamento sucessório, incluindo o desafio de escolher os sucessores certos e iniciar o processo no momento oportuno;
(7) questões sucessórias relativas ao patrimônio da família e que envolvem a sucessão do negócio;
(8) educação e desenvolvimento dos herdeiros para eventual participação no negócio.

Estas questões podem ser agrupadas nas seguintes categorias de estudo:

1.Governança: da empresa e da família
2.Gestão: da empresa e do patrimônio
3.Sucessão: da empresa e do patrimônio
4.Comportamental: desenvolvimento de lideranças e gestão de conflito.

O que talvez seja novidade é que:

1. Empresas familiares performam melhor do que as demais – desde que sobrevivam. Apenas um terço dessas empresas continua na geração seguinte, seja ela qual for.

2. Apenas 10% dessa mortalidade é causada por questões do negócio. O verdadeiro problema está na infinidade de temas complexos acrescentados pela​ ​mistura de família com negócios.

*OLIVEIRA, Antonio Carlos (2017) Empresa Familiar – sua importância econômica e social. Revista Ideia,160; v. 8, n. 1.*

*FERNÁNDEZ-ARÁOZ, C.; IQBAL, S.; RITTER, J.. Leadership Lessons from Great Family Businesses. Harvard Business Review. April 2015, Vol. 93 Issue 4, p82-88.*
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