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​Dilemas e alternativas para os líderes em tempos de pandemia

Publicação: 29/06/2020 às 17:31 | Autor: Edilene Boch


Prezados, vivemos um momento sem precedentes na história da humanidade. Mas isso todos já sabem!
Abordarei os impactos vividos pelas lideranças, em especial nas empresas e apresentarei algumas alternativas de como lidar com tudo isso e sair mais fortalecidos no final.
As organizações empresariais como todas as outras estão convivendo com a incerteza absoluta. Derivando daí sérios dilemas. Vamos a eles:
Estar confortável em um ambiente de desconforto: O líder é um ser humano que sente medo, está inseguro, trabalha muitas horas, está com os filhos em casa e também não pode encontrar familiares e os amigos e, apesar da instabilidade precisa ser equilibrado, protagonista e indicar os rumos, demonstrar otimismo e motivar as pessoas. Além de tudo isso, precisou adaptar-se num prazo de 24 horas a trabalhar em ambientes digitais nem tão prontos assim, porém agora de forma quase ditatorial.
Garantir resultados em uma economia recessiva: Além dos aspectos de saúde convivemos com a estagnação da economia, onde a sobrevivência dos negócios está em jogo. Com exceção de alguns ramos de atividade, a maioria encontra-se sem dinheiro em caixa, portas fechadas, redução absurda das vendas, diminuição do quadro de funcionários e precisando ser eficiente como nunca para garantir ao menos a sobrevivência dos negócios até esse turbilhão passar.
Delegar confiando sem perder o controle: Estimular o Ownership (sentimento de dono) afim de garantir o engajamento das pessoas, para que mesmo em home office, tomem para si a responsabilidade de entregar metas e tarefas nos prazos necessários. O problema aqui é que na maioria dos casos os líderes até agora não conseguiam engajar as pessoas, em especial as gerações mais jovens. E agora precisam garantir a produtividade sem estar perto para controlar e fiscalizar, como era feito até recentemente.
Ter coragem mantendo a cautela: Está sendo exigido que o líder seja corajoso para assumir riscos e responsabilidades. Apesar de não ter bases pra tomar decisões, precisa decidir rápido. Por exemplo: fecha e vai pra casa ou mantem aberto, produz ou não produz, dá férias ou suspende o contrato... isso sem transpor uma linha tênue, ainda desconhecida, que divide quem passará pela turbulência e quem sucumbirá à tempestade.
Ter humildade sem perder a autoconfiança: Os líderes estão submetidos a situações que exigem humildade intelectual pois não têm todas as respostas, precisando recorrer às pessoas com suas opiniões e idéias, porém não podem entrar no movimento de vitimização, já que são eles quem precisam ser confiantes para instigar as pessoas a acreditarem que estão no caminho certo. Se o líder não demonstrar autoconfiança e a equipe esmorecer, a batalha já estará perdida, por outro lado se ele for arrogante e demonstrar autossuficiência, também perde seus aliados.
Ressalto que todas essas constatações são de agora, durante a Pandemia, logo que essa fase passar, teremos dilemas diferentes com possibilidades diferentes.
Mas então como fazer desse limão uma limonada?
Conforme nos apresenta o professor e consultor Pedro Mandelli: para engajar as pessoas nesse novo normal, o líder precisa estar presente, compartilhar suas vulnerabilidades e exercer uma liderança autêntica.
Considerando a visão de CEOs brasileiros como José Vicente Marino e pesquisas atuais da Deloitte, PWC e outras, a Inteligência Emocional, a Liderança Servidora e as Habilidades Digitais são competências indispensáveis nesse cenário.
As pessoas estão ansiosas e com medo por isso o líder precisa estar próximo, através das plataformas digitais isso é possível, e não só para cobrar, mas com interesse genuíno em apoiá-las em suas realidades reais como diz José Vicente Marino. Saber se elas tem boa internet em casa, se sua cadeira é adequada para ficar o dia todo trabalhando, se ela está bem. Estar disponível e acessível para servir ao outro buscando reais soluções em prol da missão que assumiram de levar à frente suas organizações e tudo o que isso representa: acionistas, colaboradores, clientes, parceiros, fornecedores, etc. Talvez estejamos diante de uma das maiores dificuldades do ser humano, servir ao outro verdadeiramente, abrindo mão do narcisismo, na qual necessitamos ser servidos para satisfazermos nossos egos. Os colaboradores precisam sentir-se cuidados.
Sobre compartilhar a vulnerabilidade, Mandelli refere a necessidade de criar conexões verdadeiras que gerem confiança, essas acontecem quando o líder expõe seus medos e angustias, seu não saber e admite para si mesmo que tudo bem pedir ajuda, dessa forma maximizando as decisões acertadas. Desaprender passou a ser uma atitude vital nesse ambiente que, literalmente, muda todos os dias.
Apresentar a liderança autêntica como solução para momentos de crise justifica-se pela necessidade de coerência e transparência como forma mobilizar as pessoas, condição primordial para reduzir os impactos da crise e conseguir sair dela. Podemos observar os impactos danosos da falta da autenticidade olhando o cenário político brasileiro, que tem potencializado a instabilidade gerada pela pandemia.  O líder autêntico não esconde a estratégia na gaveta, ele fala a verdade de forma transparente e adequada a cada público, e mais do que isso, age de acordo com o que diz. Não adianta dizer que devido à crise todos os salários foram reduzidos e no dia seguinte postar nas mídias sociais seu carro zero. As pessoas não vão acreditar em você! Nada mais valioso para manter as relações de confiança que a congruência entre o que você fala e o que você faz. Mais sobre liderança autêntica você encontra no livro Líder Autêntico de Bill George.
Somado a todas essas competências comportamentais citadas acima, se faz imprescindível desenvolver habilidades digitais, a forma de trabalhar e de fazer muitas coisas está no ambiente digital, e as tecnologias não vão recuar, mesmo depois que tudo passar. Não dominar o uso das novas tecnologias é como não saber usar o telefone celular em 2010, quando segundo pesquisa do IBGE, 83,3% das empresas brasileiras fazia seus negócios por meio dele. Certamente os abraços apertados e os apertos de mãos voltarão a fazer parte do nosso convívio, porém, a partir dessa experiência, a tecnologia estará muito mais presente em nosso jeito de viver. Tire de si qualquer resistência e abrace o novo, dedique-se a aprender mais e descobrirá muitos benefícios.
E finalizando, para conseguir fazer isso tudo, o líder precisa estar saudável, física e emocionalmente. Além das medidas sanitárias, trabalhe em si o otimismo e a crença de que tudo passará, reconheça e aceite o que você controla e o que não pode controlar.  Seja protagonista naquilo que é de sua responsabilidade e escolha olhar para esse momento como de oportunidades. Fazer atividades que movimenta o corpo como: subir escadas, brincar com filhos, dançar na sala, caminhar, meditar, fazer orações, ter uma alimentação saudável, enfim tudo que ajude a diminuir a ansiedade e manter o bem estar. Dissemine boas notícias e lembre-se, é nos momentos de crise que se constroem os verdadeiros líderes. Então vamos ao aprendizado!
Um caloroso abraço a todos.

Edilene Bocchi.
Consultora de Gestão de Pessoas e coach
 
 
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