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Meu chefe é meu pai

Publicação: 23/06/2020 às 16:45 | Autor: Lorena Lacerda

O Brasil está repleto de empresas familiares.  Empresas que cresceram graças à coragem e ao suor de empreendedores que, na maioria das vezes, construíram seus negócios do “zero”, enfrentando todos os desafios de crescer apenas com conhecimento vindo da prática do próprio negócio.  Esses empresários amam seus negócios porque são para ele como filhos:  os viu nascer, cuidou desde cedo para que tivessem todos os recursos para sobreviver e crescer de forma saudável.  Porém, com o crescimento, vieram os desafios... E, para lidar com tantas questões, ninguém melhor do que os filhos reais, os de “carne e osso”, de sua extrema confiança e que representam a realização do desejo de formá-los para, no futuro, realizar o processo sucessório e, assim, finalmente poderem se “aposentar”.   O que se sucede depois, quase todos já devem ter visto ao menos uma vez:  conflitos de visão entre pais e filhos, pela diferença de formação escolar, conhecimentos, experiência e modelo comportamental, já que são de gerações distintas. Ademais, pais que prorrogam quase que “ad eternun” a decisão de sair do negócio, gerando frustração nos filhos, ansiosos por assumirem o comando.  O que a princípio parecia a solução ideal para o crescimento do negócio, começa a ser um desafio diário, de garantir resultados e, ao mesmo tempo, a estrutura familiar.  Vaidades, complexos, exigências, traumas emocionais, dinheiro, carências... Tudo se mistura em meio aos comunicados internos, fluxos de processos e decisões estratégicas.  Reuniões gerenciais transformadas em brigas domésticas, dando direito aos profissionais do mercado que ocupam alguns dos cargos executivos da empresa, assistirem de camarote às intermináveis sessões de desabafo que traz à tona desde conflitos da infância até a briga da semana passada pelo “melhor pedaço da picanha”, no churrasco de domingo.  Haja paciência e saúde mental para tanto desperdício de tempo!  Ao final, pais frustrados porque seus filhos não vêem o negócio como eles; e, de outro lado, filhos frustrados porque seus pais não os reconhecem como competentes profissionalmente.  Não há dúvidas que para ter tranqüilidade em uma empresa familiar, sendo membro da família, é necessário maturidade, paciência e muito, mas muito discernimento.  Primeiro, e mais importante, para saber separar papéis.  Filhos precisam entender e aceitar que os pais são os Gestores principais e donos do negócio.  Herdeiro é profissional do mercado, porque, afinal, a empresa é do pai e não dele.  Pais precisam entender que filhos precisam dos mesmos recursos e estímulos dos profissionais do mercado, ou seja: informação clara, elogios pelos bons resultados, orientação, apoio, respeito.   Segundo, para se encontrar uma forma efetiva de tomar decisões e lidar com todas as adversidades do ambiente corporativo, é necessário ter o “dom” de lidar com os problemas no contexto onde são produzidos, ou seja, não levar “para casa” aquilo que se trata na empresa.  Terceiro, e último, entender que todos têm o direito de escolher o que realmente lhes gera satisfação.  Dizer “não” ao negócio dos pais, recusando-se a trabalhar na empresa, é algo perfeitamente natural e deve ser visto como sinal de maturidade dos filhos na busca da realização profissional.  Empresas familiares podem funcionar com muito sucesso, convertido em rentabilidade e em relações saudáveis entre os membros.  Mas para que isso aconteça é necessário muito esforço de cada uma das partes, entendendo sua parcela de responsabilidade na criação de um sistema de convivência produtivo e sustentável ao longo do tempo, independente dos rumos que o negócio tome.

Lorena Lacerda
Master coach de executivos
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