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Socorro minha equipe está desmotivada

Publicação: 23/06/2020 às 16:38 | Autor: Lorena Lacerda

 
É muito comum em meu trabalho como Consultora ouvir de clientes, principalmente de donos de empresas: “Minha equipe está desmotivada; preciso fazer alguma coisa. Gostaria que você desse uma palestra para eles e, depois, realizasse um diagnóstico para eu saber quais são os mais desmotivados e eu possa assim substituí-los!”
Encontramos duas falhas conceituais nesse “apelo” dos Gestores:
A primeira: Achar que uma palestra de duas horas vai motivar pessoas.
Todos sabemos que a motivação depende de uma diversidade de fatores que são totalmente individuais, pois têm a ver com os valores, crenças, desejos e necessidades de cada pessoa.
Por isso dizemos que a motivação é interna, ocorre de dentro para fora, e que, por isso, o líder não consegue motivar a equipe. Entretanto, o líder pode propiciar um ambiente no qual as pessoas sintam-se estimuladas ao ponto de gerar um clima de entusiasmo para o alcance de objetivos e da máxima produtividade.
As empresas que acreditaram no poder transformador das “palestras motivacionais” perceberam que o resultado foi efêmero, de curta duração e pouco alcance.
Uma palestra bem estruturada pode, sim, ajudar.  Não no sentido de motivar as pessoas para a mudança no modelo de atitude. Pode, entretanto, entusiasmá-las a repensar suas escolhas e a tomar decisões que venham garantir melhoria de satisfação com a vida pessoal e profissional.
Importante entender, então, que num programa de desenvolvimento de pessoas, cuja intenção seja a melhoria dos resultados organizacionais, a palestra pode ser um marco inicial, uma ferramenta de disseminação do objetivo da Empresa de melhorar as pessoas e atingir suas metas.
A palestra não pode ser considerada, então, a ferramenta que vai gerar a mudança, e, sim, uma ferramenta para o despertar da necessidade de mudança em todos os envolvidos, desde os colaboradores mais operacionais até o mais estratégico de todos: o dono do negócio.
A segunda falha, na afirmação do parágrafo inicial: Acreditar que a melhor maneira de solucionar o problema é substituir os desmotivados.
Há equívoco em pensar que é possível ter uma equipe 100% motivada; há equívoco em não entender o impacto de demissões no “moral” da equipe que fica; há equívoco em achar que é possível diagnosticar o nível de motivação de uma pessoa, há equívoco em acreditar que um Consultor externo é a pessoa mais indicada para dizer à Empresa quem deve ou não ser substituído em uma equipe.
Por mais que a Empresa ofereça vários benefícios, excelente remuneração, bons relacionamentos internos, ambiente organizacional de crescimento e compartilhamento, ainda assim pode haver pessoas desmotivadas nessa Empresa, porque a motivação depende de a realidade profissional estar de acordo com os valores e aspirações de cada um deles.
Para uma pessoa, por exemplo, que quer ganhar muito dinheiro, um ambiente de bastante competitividade e estratégia de remuneração agressiva é muito mais interessante e vai gerar muito mais condições de motivação do que um ambiente sem desafios, mais “pacato”.  E, ao contrário, uma pessoa que busca mais qualidade de vida, equilíbrio e estabilidade emocional, vai ter mais condições de estar motivada em um ambiente que respeite o ritmo de cada um.
O mais complicado nessa situação toda é que as necessidades mudam! Desta forma um profissional totalmente motivado pode vir a se desmotivar, porque suas necessidades e desejos mudaram.
Enfim, se uma Empresa percebe que quase toda a equipe está “desmotivada”, porque não se compromete com as metas, porque não cumpre as regras do negócio, porque não trabalha para a melhoria dos processos e resultados, é necessário pensar seriamente em rever todo o seu modelo de gestão e liderança.
Gestão, porque quando a Empresa tem um “jeito de ser” aberto ao diálogo, à participação, dificilmente as pessoas chegam a um nível tão alto de insatisfação que torne perceptível a “desmotivação” total da equipe.  Muito antes, já houve oportunidade de conversar e tratar dessas insatisfações.
Liderança, porque esta é a base de qualquer negócio, a coluna dorsal.  Uma equipe de líderes capaz de conhecer pessoas, construir e melhorar processos, gerir resultados, implementando, juntamente com a equipe, melhorias contínuas, que se preocupe em gerar um ambiente de trabalho de harmonia e alto astral, dificilmente vai ter toda ou a maioria da sua equipe desmotivada.
Às vezes, dá até vontade de dizer, quando ouço o Gestor afirmar que pensa em demitir a equipe desmotivada: “É bom analisar se não é o caso de demitir a si mesmo!”
 
Lorena Lacerda
Coach de Executivos
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