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Política no ambiente corporativo, e agora?

Publicação: 23/06/2016 às 09:17 | Autor: CRIS OLIVETTE - Estadão

“Respeitar que as pessoas são diferentes e têm visões diferentes faz parte do dia a dia das instituições. O conflito político é apenas mais um caso”











A efervescência do momento político brasileiro impede que a população fique indiferente aos acontecimentos. O tema domina rodas de conversas em momentos de lazer, no encontro com a família e chega às organizações. Fundadora da Nursing Care, Daniela Chagas diz ter sido surpreendida uma noite, ao constatar que havia 50 mensagens no grupo criado pela empresa no WhatsApp.

“Foi no dia em que a presidente anunciou a indicação de Lula para o cargo de ministro. A discussão envolveu tanto pessoas de nível superior como as de nível médio. Aqueles com mais consciência política passaram a explicar aos que tinham carência de informação o que está acontecendo no País.”

Desde então, a equipe conversa sobre política e lê jornais, coisas que muitos não faziam antes. “Não havia interesse em relação a política. Acredito que o mesmo ocorria com a maioria dos brasileiros. Incentivei o diálogo para que todos pudessem se expressar, não poderia podar essa troca. Acho importante deixar que as pessoas tenham voz para melhorar o País. É um trabalho de formiguinha, mas que pode render frutos.”

Professora convidada da Fundação Dom Cabral e coach executiva, Eva Hirsch Pontes, que ministra aulas de liderança, afirma que as empresas devem ficar muito atentas para que os funcionários batam nas ideias, mas não batam nas pessoas.

“Esse deve ser o posicionamento das organizações em momentos de gestão de conflito. As divergências não podem ser levadas para o nível pessoal. Afinal, todos estão ali para cumprir uma série de tarefas. Respeitar que as pessoas são diferentes e têm visões diferentes faz parte do dia a dia das instituições. O conflito político é apenas mais um caso.”
Segundo ela, a tendência do ser humano é considerar que se não concorda com as ideias do outro, não concorda com ele como pessoa. “Todos merecem respeito e têm direito a ter a sua própria opinião. É preciso lidar com isso. Divergência de opinião faz parte da vida humana e, principalmente, da vida empresarial”, ressalta.

Eva afirma que este é um bom momento para se falar sobre os diferentes estilos de liderar e de fazer gestão. “Tem uma informação interessante de neurociência bem cabível neste momento. Nosso cérebro foi projeto para procurar quem é igual a nós. Sempre que encontra um diferente, o cérebro automaticamente o classifica como inimigo, é um impulso primitivo.”

A professora afirma, no entanto, que as pessoas têm sofisticação suficiente para compreender que esse instinto está arraigado no cérebro por uma razão muito simples: a sobrevivência da espécie.
“Tendo essa compreensão, podemos evitar adotar esse comportamento de forma automática. Isso nos ajuda a refletir sobre o fato de que discordar de você não torna o outro um inimigo”, diz.
Eva dá uma dica: todas as vezes em que estiver discordando de uma pessoa, procure encontrar um ponto em comum. Conversar sobre pontos comuns reduz o movimento de afastamento. “Mais do que nunca, as empresas têm de focar nisso. Podem até realizar atividades para ligar as pessoas por meio dos pontos em comum.”

Segundo ela, se mesmo assim o clima esquentar, o gestor tem de intervir. “No dia a dia de trabalho todos precisam conviver e trabalhar juntos. Romper com o colega de trabalho por divergência de opinião não é um comportamento aceitável dentro das organizações. As opiniões pessoais não podem atrapalhar o exercício da função. O relacionamento educado é o que tem de prevalecer”, afirma.

Rotina. Um dos sócios da Dona Comunicação, Paulo Roberto Júnior, diz que desde 2008, quando a empresa foi criada, eles realizam happy hour quinzenal com a equipe para falar de tudo, inclusive política.

“Só que neste momento, estamos sendo bombardeados diariamente com novas informações sobre a crise política, e as discussões são diárias. Temos pessoas com idades entre 20 e 55 anos. São diferentes gerações, com opiniões divergentes. Mas todos se posicionam de forma saudável.”
O empresário afirma que é comum os membros da equipe trocarem textos por e-mail para ajudar o colega a ter uma compreensão maior do assunto. “Achamos fundamental criar essa cultura para que as pessoas sejam cada vez mais criticas, pensem por conta própria e busquem informação. Isso faz da pessoa um profissional melhor e um cidadão mais consciente.”
 
Segundo ele, nenhuma discussão que ocorra no decorrer do expediente é interrompida. “Momentos de embate não atrapalham a produtividade. Todos têm bom senso. São paradas pontuais que duram cerca de 10 minutos. Não vemos como empecilho à produtividade. Precisamos de pessoas pensantes, com ponto de vista próprio.”

Ele afirma que a rotina de troca serve de motivação. “Temos um ambiente no qual eles podem expor suas opiniões sobre qualquer tema. Não cerceamos nada e nem tentamos induzir opiniões”, garante.
Psicologia positiva e meditação de atenção plena são ferramentas.

“Pelos relatos de meus clientes, observo que questões políticas se tornaram o principal assunto nas empresas. Isso mexe muito com as emoções ligadas à sobrevivência, pois fala do desrespeito com o nosso espaço, a nossa pátria”, afirma a coach emocional, Alessandra Riscado.

Segundo ela, nessas situações o ser humano ativa dois sentimentos instintivos: raiva e medo. “As discussões ocorrem baseadas em sentimentos instintivos, originados na parte do cérebro que comunga com o cérebro dos animais: fuga, medo e ataque. É quase impossível a pessoa não externar o que sente. E a vontade de desabafar a indignação é muito forte.”

Alessandra diz que é difícil para o ser humano desligar o botão da indignação quando chega no ambiente de trabalho. “Assim, as pessoas começaram a expressar suas emoções e as opiniões divergentes resultam em diálogos negativos, voltados ao ataque e crítica. Nesse clima, elas perdem o foco do que querem para o País e passam a julgar quem pensa diferente. A dificuldade de diálogo compromete o relacionamento no ambiente corporativo”, afirma.

A coach conta que esse clima pode impactar a produtividade da empresa porque, sem foco, as pessoas deixam de fazer as atividades que devem ser feitas. “Ao acionar a raiva, a pessoa não raciocina como em período de equilíbrio. Por isso, perde o foco, atrasa entregas e não presta atenção em reuniões. Sua cabeça fica sendo martelada por sequência de pensamentos de medo e raiva, que geram comoção no corpo e dificultam a retomada do equilíbrio”, explica.

Segundo ela, para que os funcionários possam recuperar o bem-estar é preciso acionar a inteligência positiva. “Uma técnica que pode ser usada nesse momento é a da comunicação não violenta, desenvolvida pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg. Isso só acontece de forma clara se a pessoa se coloca no lugar do outro, se entende a necessidade do outro e a sua.”
Alessandra afirma que essa técnica é utilizada por empresas de vários países, principalmente entre as equipes de RH. “Para amenizar os ânimos, pode realizar workshop para difundir esses ensinamentos, enviar e-mail corporativo dando dicas de como aplicar a técnica ou, ainda, indicar livros sobre o assunto.

Este é um bom momento para as organizações ampliarem sua comunicação interna.”
Já em relação à falta de atenção, consequência natural de quem fica estressado, Alessandra recomenda a meditação da atenção plena. “Nos livros do mestre da psicologia positiva, Martin Seligman, é possível aprender a usar duas ferramentas simples e potentes. Basta a empresa disseminar essas técnicas”, afirma.

Seguindo essas sugestões, a coach diz que as corporações terão ganhos como conversas positivas e honestas. “Não dá para proibir as pessoas de se expressarem no ambiente empresarial, mas é possível colocar limites e, ao mesmo tempo, gerar bem-estar e foco.”

DICAS

Ponto comum

Quando estiver discordando de uma pessoa, encontre um ponto em comum. Conversar sobre pontos comuns reduz o movimento de afastamento.
Inteligência
Para restaurar o bem-estar na equipe acione a inteligência positiva com a técnica da comunicação não violenta, do psicólogo Marshall Rosenberg.
Atenção
O estresse dá banho de hormônio nas pessoas, que perdem a capacidade de atenção. Livros de Martin Seligman ensinam a meditação da atenção plena.
Difusão
Para acalmar os ânimos, as empresas podem fazer workshops para ensinar as técnica, enviar e-mail corporativo com dicas das técnicas ou indicar livro.

 
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